. . : : Com o mundo sobre nós : : . .
Mas então o tempo passa: renascer, reinventar-se, reintegrar-se, revalidar-se, reavaliar-se... Impossível não experimentar de um desgaste dos sonhos, de um desconforto, uma necessidade de apaziguamento. E desejar um tempo de sossego.
No sossego, as descobertas podem ser profundas e acolhedoras. Há períodos em que tudo bem viver SOMENTE delas. Mas sabemos que a eternidade (o até-o-final-dos-tempos-que-não-tem-fim), tem vida curta. Então: almejamos a irreverência, o despudor, o êxtase emocional. Buscamos as saídas mais difíceis, colocamos em risco a carreira, casa-comida-roupa-lavada; estancamos a observância e facilitamos para a tristeza chegar e nos acompanhar num silêncio desmedido.
Mas então o tempo passa: renascer, reinventar-se, reintegrar-se, revalidar-se, reavaliar-se... Ciclos são fechados, nossa biografia é atualizada: amores, destemperos, despedidas, desastres que nos comovem, dores que se curam com assopros, partidas que nos partem ao meio e ninguém mais consegue colar os pedaços, nem mesmo nós. Almejamos sabedoria para viver o que vier com bom gosto. Da transcendência tiramos um naco de divindade que nos acompanha entre sortilégios e milagres. Buscamos a quietude para reflexões que, de tão profundas, nem sempre conseguimos alcançar. Deixamo-nos deleitar pelo simples ainda que fundamental fato de que estamos vivos. Bendizemos cada dia, até mesmo aqueles em que experimentamos das cruezas da dor. Até os dias que passaram em branco, como se tivéssemos nos atirado em queda-livre por um vão que dava pra lugar nenhum.
E ainda há muito que aprender com o mundo e sobre nós mesmos.
